
Acordei, atordoado, num mundo diferente, porém muito agradável. Tinha a sensação de conhecer tudo ali como a palma de minha mão. Conforme fui andando, vi flashes de meu próprio ‘passado’. Entendi finalmente: Estava dentro de mim mesmo.
Conforme as coisas foram ficando mais claras, entendi o que tinha me colocado ali. Face a meus maiores medos e paradoxalmente, aos meus sentimentos.
Um tapa. Sim, um tapa da vida! Por isso estava atordoado. Difícil de entender…
Até ouvir uma voz: “Jonas, bem vindo à vida”. Era meu subconsciente me comunicando o que já estava óbvio. Mas este subconsciente tinha uma forma. Um sábio, embora eu não conseguisse vê-lo claramente, eu sabia só de ouvir sua voz.
Se sentindo agora um adulto com compreensões e pretensões sobre o mundo, clamei altamente. Agora eu sei tudo!
Uma risada irônica e ensurdecedora ecoa.
-Você não esperou eu terminar. Continuando… Bem vindo à vida, pegue esta caixa.
- O que tem dentro dela?
-Sua ideologia, suas paixões, tudo o que você defende como sendo o correto, o melhor possível.
Continuei andando até avistar uma longa e sinuosa fila. Parecia interminável.
Sem perceber, entendi a situação. Aquela fila representava a longa caminhada da vida. Naquele mundo no qual uma simples ideia, sentimento, crítica pode vir na forma de uma pedrada, um tiro, uma flecha, uma explosão, um terremoto. Onde as coisas se transformam e às vezes nós mesmos. Muitos entram na fila, mas poucos chegam ao fim com a caixa ainda em mãos, outros vão trocando seus valores por outros ao longo do caminho. É difícil manter se firme diante de um mundo mutável. Mas é necessário achar o caminho para suportar aquela longa e extenuante caminhada.
Pego minha senha e vou para o final da fila.
E que venha o acaso.
“Nulla dies sine linea.”
- Lema corrente desde a Idade Média